Pedro Guerreiro de Sousa
Testemunho de dador
29-03-2012
"E se um dia for realmente "activado" como Dador de Medula Óssea ?"
Testemunho de um dador de medula óssea:
Pedro Guerreiro de Sousa, inscreveu-se como dador, há já alguns anos. Em Janeiro de 2009, foi contactado: era compatível com alguém que sofria de leucemia e precisava de um dador. Transcrevemos aqui o seu testemunho, quando descreveu, com base na sua própria experiência de dador, o que é ser dador.
" É, realmente, gratificante sabermos que pudemos ajudar a salvar uma vida. Na verdade, e sem falsas modéstias, nós, dadores e candidatos a dadores estamos do lado mais fácil simplesmente porque somos suficientemente saudáveis para poder doar. O lado difícil está sempre com o doente. E o sucesso de um processo destes depende muito mais da equipa de técnicos e médicos que assiste a recolha e em particular o doente, do que de nós, dadores.
É verdade que quando somos identificados como dadores activos, passamos o difícil processo de encontrar a compatibilidade. Mas o processo de doação é tão simples que torna esta causa numa questão moral e de respeito pela vida humana.
O processo de doação de medula, em concreto passa sensivelmente pelas seguintes fases: (1) identificação e confirmação dos níveis de compatibilidade através de análises clinicas e exames médicos para confirmação da saudabilidade do dador, (2) identificação do método de recolha em função das necessidades do doente, (3) assumpção consciente e formal do compromisso de doar e reconhecimento que o risco para o dador é francamente baixo e tende para zero, (4) processo curto de indução de produção de medula durante 4 dias, (5) doação e (6) a espera pelas boas notícias.
Na verdade é a fase mais dolorosa porque normalmente não há notícias sem passarem alguns meses."
Recordamos que há 2 métodos para a colheita das células necessárias ao transplante, sendo que em nenhum dos casos há qualquer relação com a espinal medula (confusão frequente, dada a semelhança de nomes entre os dois órgãos).
No caso do método por que o Pedro passou, inicialmente, o dador faz um tratamento com injecções subcutâneas de uma substância chamada factor de crescimento para aumentar a produção de células progenitoras de medula. Depois, num processo semelhante à doação de sangue, as células são colhidas por uma técnica chamada citaférese, na qual é possível colher as células a partir de veias periféricas no braço, num processo rápido e simples. Neste caso, o sangue retirado da veia do dador passa através de um aparelho que remove apenas as células necessárias para o transplante, devolvendo novamente as restantes células e plasma ao dador.
No método alternativo, é feita uma colheita das células a partir dos ossos pélvicos, com anestesia geral. Os dadores passam por uma pequena cirurgia de aproximadamente 90 minutos. É retirada uma pequena quantidade de medula (menos de 10%), através de uma punção na região pélvica posterior (bacia) para aspirar a medula (vulgarmente conhecida como tutano). Dentro de poucas semanas, a medula óssea do dador estará inteiramente recuperada. Os riscos são praticamente inexistentes; os dadores costumam relatar um pouco de dor no local da punção.
Esperamos com esta Nota ajudar a clarificar o que é ser Dador.
Ao Pedro Guerreiro de Sousa, casado e Pai de 3 filhos lindos, o nosso muito obrigado por ter partilhado a sua experiência!
