Fernando Morgado
Testemunho de doente
19-03-2013
"Tudo está bem quando nos sentimos bem, mas há sempre um dia ou outro que marca para sempre a nossa vida."
Sempre fui um rapaz saudável, honesto, trabalhador. Tinha tudo para ter uma vida normal, conheci a mulher da minha vida, a Márcia, casei e com ela tive os meus lindos rebentos, dois, o Gabriel e o Guilherme. Tudo corria normalmente éramos muito felizes, não querendo dizer que não o somos agora, somos muito mais unidos e olhamos de forma diferente para a vida.
A quatro anos atrás apareceu-me um problema grave de saúde, LNH, uma doença que pode ser tratada com quimioterapia podendo por vezes não ser suficiente, ao ponto de ter que precisar de dador de medula óssea. Foi precisamente o meu caso. Quando recebemos estas notícias, parece que nos cai o mundo todo em cima. Chora-se muito, Fechamos os olhos e lá bem no fundo parece que rebobinamos a k7 de vídeo e olhamos para trás, pensamos em tudo o que já vivemos de bonito, o quanto fomos felizes e de repente tudo pode acabar. Como se não bastasse minha Mãe já tinha falecido num acidente de viação e o meu Pai tinha acabado de falecer também num acidente, que vida a minha. Tinha trabalhado sempre como meu falecido Pai na construção civil, mas sem nunca me fazer os descontos, nunca lhe cobrei por isso pois era meu Pai e tinha-mos perdido a mulher mais importante das nossas vidas…
É nestas alturas que pensamos que não valemos nada, juntei um dinheirinho, um pezinho de meia e de repente dei cabo de tudo e logo me perguntei, porque lutar tanto pela vida se de repente ficamos sem nada e quase sem vida própria.
Foi então que logo pensei, estou a ser tão estúpido e egoísta, só estou mesmo a pensar naquilo que me pode acontecer. É certo que se passa uns dias bastante duros depois da notícia mas também temos que pensar que temos pessoas muito importantes a nossa volta, pessoas que nos amam muito e amor é o que não me falta em casa, logo pensei nos meus ricos filhinhos que sofrem muito se nos vêm sofrer. Pensamos que não mas as crianças apercebem-se bem quando não estamos bem.
Então decidi lutar com todas as armas porque a minha família merecia e claro, eu também ainda tenho muitos anos pela frente, também ainda tenho muita luta pela frente. Já passei por muitos maus bocados, entre os tratamentos que nos deixam muito debilitados e claro nestes tempos de crise por problemas monetários…
Através da internet, conhecemos pessoas com o mesmo ou problemas idênticos de saúde, comunicamos uns com os outros, trocamos ideias alegrias e tristezas.
Mas conheci uma associação muito importante, APCL, onde trabalham pessoas magníficas, quase sem olhar a meios para ajudar todos os doentes e seus familiares. Organizam eventos com artistas conhecidos, para angariar fundos e sensibilizar as pessoas de que estas doenças são problemas de toda a gente. Ajudam ou tentam ajudar ao máximo na procura da cura destas doenças e como no meu caso, financeiramente. Não percebo muito sinceramente quais são os critérios da segurança social em casos como o meu com uma renda a pagar e 2 filhos para criarmos, passei tempos muito difíceis, e a minha rica mulher, a quem lhe devo tudo aquilo que consegui alcançar neste momento, já estaria perdido da minha cabeça….
Esta grandiosa associação APCL, logo se mostraram interessados pelo meu caso e pela minha história, ajudaram-me financeiramente conforme puderam e desde já tudo lhes agradeço do fundo do coração…
O meu filho Gabriel é o meu filho mais velho e compreende bem todas estas dificuldades, e ele próprio costuma dizer que estas pessoas são todas muito nossas amigas…
Por isso eu peço a todos aqueles que o possam fazer e também a todos que já o faziam que continuem a contribuir com esta grande associação, que tudo fazem pelos seus doentes e suas famílias, na procura de dadores compatíveis, organização de recolhas de sangue para a despistagem de possíveis dadores, no apoio cientifico da procura de tratamentos e por aí fora…




