Carlos Horta e Costa
Testemunho de doente
13-03-2013
Em Outubro de 1992 foi-me diagnosticada uma leucemia, doença que eu sempre quis “fugir a 7 pés”, pois, anos antes, um dos meus melhores amigos estava para casar e a noiva morreu com leucemia, não decorrendo mais de 1 mês entre o diagnóstico e a sua morte.
No momento em que soube, foi um choque violento, mas imediatamente meti na minha cabeça que iria ultrapassar a situação, e nem outra visão me passava no meu pensamento.
Convenci-me que seria uma constipação a longo prazo, e a minha cabeça dessa forma agiu.
Após um ano de tratamentos, fui submetido a transplante de medula – doada pelo meu irmão Zé – e no mês que estive no IPO, comecei por fixar a data em que “queria sair” e a partir daí todos os dias actualizava o calendário, á espera do dia da saída, e assim aconteceu. Saí nesse dia.
Serve este pequeno relato para ilustrar que, sendo uma doença complicada e maldita, ela pode e tem de ser ultrapassada, pondo a nossa vontade, o nosso querer, a nossa fé, ao serviço da nossa determinação em vencer.
Não posso deixar de enaltecer o apoio dos amigos e família, mas destacaria a minha Mulher – que foi incansável e se esqueceu que existia, para existir para mim –, e os meus filhos para quem olhava na certeza de que os iria abraçar novamente.
